Em meados deste mês (Fevereiro de 2008), a frota de veículos registrados na cidade de São Paulo atingiu os incríveis 6 milhões. Assim, o caos do trânsito se agrava a cada dia, na verdade com 800 veículos por dia, com mortos e feridos na guerra urbana por espaço, que se compara apenas à violência das guerras civis e entre nações. Mas se engana quem pensa que elevados índices de violência no trânsito paulistano é um fato recente. Desde o primeiro automóvel importado por Alberto Santos Dumont em 1900, a história vem sendo marcada com sangue e velocidade.
Produto da II Revolução Industrial, ou Revolução Tecnológica-Científica, o automóvel passou a ser um símbolo de uma nova era, a era da civilização ocidental. O automóvel aparece trazendo consigo os ideais de modernização e avanço tecnológico, mas também criou novas formas de relacionamento entre o homem e o espaço ao seu redor e os homens entre si, transformou o comportamento nas ruas e a relação das pessoas com o meio urbano. Liberdade de locomoção e velocidade foram palavras disseminadas por liberais progressistas que resultavam em sensações de poder para os motoristas.
Apesar de agravar o conflito por espaço, os automóveis nunca deixaram de exercer um forte fascínio sobre as mais diferentes classes sociais. Com ideais de poder e liberdade, o automóvel foi peça fundamental para o processo de aceleração do cotidiano da sociedade capitalista. Não se trata de apenas um objeto da história, mas também da condição de ator, agente transformador ativo e passivo em um problema endêmico da cidade de São Paulo.
Sobre este tema, indico a leitura do livro “A Modernidade Sobre Rodas: tecnologia automotiva, cultura e sociedade” de Marco Antônio Cornacioni Sávio, muito interessante para quem é da área da História, das Ciências Sociais e do Urbanismo.
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