Cidade dos Motoboys: problemas e soluções

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A cidade de São Paulo cresceu muito e hoje mantém o status de “Cidade Global”, isso significa tecnologia avançada em telecomunicação, investimentos estrangeiros, em fim, competitividade frente ao mercado mundial. Agilidade e fluxo são palavras fundamentais em uma metrópole que pretende ser eficiente, a favor do capital, claro. E é por isso que ela é eficaz na segregação urbana e na exclusão. Este é, a grosso modo, o planejamento estratégico que garante espaços públicos voltados a uma minoria abastada. Deste crescimento desordenado surgiu o trânsito caótico.

Mas trânsito caótico onde agilidade e fluxo são necessários? Para resolver esta questão o mercado inventou o motoboy por ser rápido e eficiente no meio urbano. Problemas resolvidos? Só se forem os do mercado, pois os da saúde pública só pioraram: 2,8 motociclistas vítimas fatais de acidente de trânsito por dia na capital paulista, segundo o Hospital das Clínicas.

Estima-se que existam cerca de 180.000 motoboys em atividade, das mais de 488.000 motocicletas registradas em São Paulo. Muitos deles trabalhando em média 12 horas por dia, de segunda a segunda, sem registro, sem direitos, sem benefícios, geralmente ganhando R$5,50 por hora (o mesmo valor de 3 anos atrás!). É um novo tipo de operário para novos tempos: informalidade para quem não possui qualificação. Nessas ruins condições de trabalho também se encontram os camelôs, as atendentes de telemarketing e os seguranças privados.

A cidade agora depende do serviço dos motoboys. Mas algum solução para a categoria está longe. É um problema social que vai se agravando enquanto a cidade cresce. E a organização dos motociclistas profissionais se faz cada vez mais necessária. Se fazem a cidade e sua economia fluírem, podem fazê-las pararem. São novos atores sociais fortes em cena, uma possível força política não vista desde os operários metalúrgicos dos anos 70. Melhores condições de trabalho é o mínimo que eles podem exigir.

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