Sobre Crianças e Lobos

 

 

Reduzir a maioridade penal resolve o quê? De tempos em tempos, a questão da redução da maioridade penal ressurge. Sempre após algum crime hediondo que comove a sociedade inteira.

Para a grande mídia é um ótimo negócio: manchetes comoventes de alta repercussão, garantindo assim a audiência; e a disseminação de sua ideologia burguesa de manter o pobre longe, de preferência na cadeia. Usando o terror como estratégia de marketing para forjar soluções como reduzir a maioridade penal e penas mais severas, que na prática são paliativas e só tendem a agravar o problema da criminalidade.

Fatores como a educação em condições precárias, o desemprego e a vontade de consumir desenvolvida pelo capitalismo, por exemplo, são peças que se unem e levam o jovem pobre a partir para o crime. Jogá-lo na cadeia apenas aprofunda a crise, pois o sistema penitenciário não visa recuperar o infrator, acontecendo exatamente o contrário: o jovem cada vez mais marginalizado, sem oportunidade e perspectivas, restando-lhe apenas o crime.

Uma sociedade dividida em classes onde uma detém o dinheiro e o poder e outra classe apenas tem sua força de trabalho, que é de pouco valor, só pode chegar a esse ponto, cujos conflitos serão cada vez mais explícitos e violentos. Investir em educação, esporte, lazer, enfim em outra sociedade, uma sociedade sem classes, é investir em segurança. Mas enquanto isso não acontece, o descaso do Governo para com as populações menos favorecidas continua e o sinônimo de justiça permanece como ‘pobre na cadeia’, sem direito à educação e todos os benefícios de uma vida digna.

3 Comentários

  1. É mesmo para se comentar e refletir sobre toda essa comoção da sociedade que dispara uma ação de momento no congresso. Este último tentando usar a mídia para se eximir da ausência do estado. Não é a redução de maioridade penal que muda as filosofias arraigadas de um povo, que permanece vítima da obsolescência e da falta de educação. Não é esta mudança penal que muda os valores. Que faz as pessoas enxergarem o valor da vida.. Isso não é um trâmite temporário. Mudar esses valores demanda investimento de muito tempo (50 anos para educar) e dinheiro (freqüentemente mal utilizado. Uma pena).

  2. Você é um débil mental. Associar questões da sua ideologia medieval falando panaquices velhas e empoeiradas a respeito da dualidade operário/patrão ou comunismo/capitalismo é de uma pequenez singular.

    Você, Roberto, merece ter algum parente dilacerado no asfalto como este menino foi. Ou quem sabe você mesmo. Quem sabe assim você larga um pouco esse discurso marxista cheirando a mofo e volta para o mundo real.

    Filho da Puta.

  3. Caro Filho da Puta,
    quando se fala em ‘medieval’ pressupõe-se que ele occorreu durante a idade média (logicamente), ou seja, até a Queda da Bastilha. Marx viveu depois desse período. Logo, seu pensamento não é medieval…

    Com certeza não é seu neoliberalismo que vai solucionar as questões de violência, e muito menos a da desigualdade socio-econômica. Pelo contrário, vai aprofundar ainda mais as disparidades. Ao menos isso pode ter um ponto positivo: quem sabe você não acaba sendo arrastado, ou sequestrado e preso em um porta-malas com o cu na mão e a conta bancária zerada? Assim, sentirá você um pouco do mundo real.

    Estarei esperando sua novíssima teoria sobre a sociedade, suas contradições e antagonismos.

    Jogo seu jogo melhor do que você.


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