Quem quer que mude o quê?

As estatísticas já apontavam, e acabaram por se cumprirem. Resultado de uma grande insatisfação com o atual rumo das finanças; da participação dos jovens e daqueles que não tinham vez. Barack Obama é eleito como o homem mais importante do mundo em uma situação complicada tanto dentro dos Estados Unidos quanto fora.

Só pelo fato de ser o primeiro o primeiro negro a ser o presidente dos EUA já daria muito assunto para discussões, mas esse assunto mal entra nas pautas pois o tempo é de crise. Crise esta que se apresenta como maior do que a de 1929, tanto que ontem quem não acreditava que o cenário chegaria a esse ponto, hoje se suicida. Quem ainda não se suicidou pede socorro para Obama.

Mas o que o presidente dos EUA pode fazer? Vai poder salvar os bancos? Mas e as pessoas? Como conter a recessão depois que o efeito dominó começou? São dúvidas que ficam até começarem a se desenrolarem com a história. Só não podemos esperar algum modelo verdadeiramente alternativo de reação a essa crise, mas ninguém sabe o que esperar.

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Continho Citadino

Observava sem desdém os cartazes do HSBC, planejava o final de semana com a amiga e o namorado. Ia ao ponto “sentido bairro”,mas ao colocar o segundo pé no asfalto frio da noturna Consolação foi apanhada por um cansado e infeliz taxista. Maldito IPod.

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Operadores: Pós-Operários

As grandes cidades do país vêm se direcionando à modernização e deixando para trás a característica industrial. Estamos na era do fluxo informacional, das telecomunicações a serviço das grandes empresas. Aliás, serviços são o que essas empresas dizem prestar. Um exemplo é o Grupo Atento, líder em diversos países na área do chamado contact center, e que no Brasil tem uma presença marcante por estar instalada em diversas capitais atuando no setor de telemarketing para outras instituições.


A maioria dos teleoperadores contratados por empresas como a Atento são mulheres de baixa renda e qualificação, tendo em vista a docilidade e subserviência. Isso porque a área de serviços herdou a pressão por produtividade dos tempos industriais: o ritmo acelerado visando o maior lucro e menor custo em condições precárias e estressantes. E a degradação das condições de trabalho não param por aí: nessas empresas também se promove a competição entre operadores e entre grupos de operadores para obtenção de um ganho pequeno ao atingir uma pré-determinada meta. Essas medidas fazem do trabalhador de telemarketing um agente muito mais individualizado, despolitizado e dócil, de forma que nem o sindicato tem força política.


A falta de oportunidade de trabalho para jovens de baixa renda e com baixa qualificação profissional agrava esse cenário. O setor de serviços é o único que emprega de forma consolidada os jovens nessas condições – além dos operadores de telemarketing temos os seguranças privados e os motoboys nas grandes cidades, sem contar a empregabilidade do crime. E são todos empregos sem perspectivas profissionais, são apenas vias de empregos mais ou menos estáveis.


O desemprego e a promoção da competição favorecem a tendência de despolitização dos operadores de telemarketing, que não conseguiram manter uma coesão de classe como a dos antigos operários. É uma tendência preocupante: na medida em que o nível de poder e opressão que as empresas atuam sobre os trabalhadores aumenta sem limite, tornando as condições de trabalho em níveis de degradação física e mental comparado até ao dos trabalhadores londrinos do século XIX.


Essa realidade precisa ser mudada, mas ela vai continuar enquanto a pressão do mercado informacional mundial existir, e os esmagados pela pressão continuarão sendo os trabalhadores, os operadores, os nossos novos proletários. E os que vão continuar ganhando serão os mesmos. Uma história velha com mais uma página e uma lesão por esforço repetitivo.

A Cidade, os Automóveis e a Modernidade

 

                                                            Gazo

Em meados deste mês (Fevereiro de 2008), a frota de veículos registrados na cidade de São Paulo atingiu os incríveis 6 milhões. Assim, o caos do trânsito se agrava a cada dia, na verdade com 800 veículos por dia, com mortos e feridos na guerra urbana por espaço, que se compara apenas à violência das guerras civis e entre nações. Mas se engana quem pensa que elevados índices de violência no trânsito paulistano é um fato recente. Desde o primeiro automóvel importado por Alberto Santos Dumont em 1900, a história vem sendo marcada com sangue e velocidade.

 

Produto da II Revolução Industrial, ou Revolução Tecnológica-Científica, o automóvel passou a ser um símbolo de uma nova era, a era da civilização ocidental. O automóvel aparece trazendo consigo os ideais de modernização e avanço tecnológico, mas também criou novas formas de relacionamento entre o homem e o espaço ao seu redor e os homens entre si, transformou o comportamento nas ruas e a relação das pessoas com o meio urbano. Liberdade de locomoção e velocidade foram palavras disseminadas por liberais progressistas que resultavam em sensações de poder para os motoristas.

 

Apesar de agravar o conflito por espaço, os automóveis nunca deixaram de exercer um forte fascínio sobre as mais diferentes classes sociais. Com ideais de poder e liberdade, o automóvel foi peça fundamental para o processo de aceleração do cotidiano da sociedade capitalista. Não se trata de apenas um objeto da história, mas também da condição de ator, agente transformador ativo e passivo em um problema endêmico da cidade de São Paulo.

 

Sobre este tema, indico a leitura do livro “A Modernidade Sobre Rodas: tecnologia automotiva, cultura e sociedade” de Marco Antônio Cornacioni Sávio, muito interessante para quem é da área da História, das Ciências Sociais e do Urbanismo.

 

 

VAZIO

                tá, mas e daí?

 

Não ia dizer nada sobre isso, mas… Não agüento!

Cansei… Movimento encabeçado pela OAB, ONG’s, Associações e demais entidades. O PT diz que se trata de um golpe, os membros do Cansei dizem que trata-se de um movimento apartidário. As informações que me chegam através da mídia acerca desse assunto são tão verídicas quanto um filme de ficção científica. O que dizer? Direi o que dá…

Golpista ou não, mentiroso ou não, a idéia desperta uma posição ativista na sociedade. Isso é bom? Penso que sim. Pode ser manipulador? Pode! Pode ser elitista? Sim! Mas vamos ao que interessa…

O brasileiro estuda em uma escola pública falida, uma piada… Antes de ingressar nela, nasce e cresce em famílias que aumentam de forma desproporcional. Sem amor, sem atenção devida, muitos crescem à margem de uma estrutura familiar adequada, namoram o crime e a “vida loka”. Eles entram para a idade adulta sem oportunidades ou perspectivas, representam a maioria, formam a sociedade brasileira. Suas vidas, sem maldade, são uma grande piada, logo, a sociedade brasileira é uma piada, um rascunho do que tem que ser um país justo e digno.

A mídia divulga o cansei, daí esse cara que cresceu e chegou à idade adulta nas condições acima citadas, entra em contato com informações incompletas acerca do movimento. Informações que apenas entram em “detalhes” sobre o movimento através da Internet… Esse cidadão mal sabe apertar a tecla “enter”, mas tudo bem… Hebe Camargo, Regina Duarte, Ivete Sangalo e sei lá mais quem aparecem fazendo publicidade sobre o movimento. Elas também estão cansadas, logo, também cansei!

Mas o movimento não luta contra isso? Sim, não duvido! Então qual o problema? Não é bom que as elites façam algo pelo país com sua educação e esclarecimento intelectual superior às classes menos favorecidas? Não é bom que se utilizem de uma cultura minoritária em nome daqueles que não tiveram a mesma sorte? Bom, concordo… Mas temos um problema aqui…

Esse movimento é vazio! V A Z I O! Não propõe nada! Absolutamente N A D A! Colocam vídeos no YouTube, anúncios em jornais, revistas e o diabo. Eles criticam o caos aéreo, a roubalheira, os empresários pilantras, os políticos corruptos… Chamaram a população para uma manifestação silenciosa no próximo dia 17 em frente à Praça da Sé, em SP. Qual idéia trazem para a solução desses e tantos outros problemas que assolam o país? Nenhuma…

Qual idéia o cara que nasceu nas condições desfavorecidas citadas acima tem para a melhoria do país? Nenhuma também… Ele também reclama do governo, de sei lá o que está acontecendo com os aviões, do salário… Papagaio fala, o pobre fala, a elite fala, você e eu falamos… Mas e daí?

E daí nada!

Será possível que um movimento vazio como esse que deve estar custando um dinheirinho legal para seus “patrocinadores” tenha apenas a intenção de dizer nada?
Eles partem do vazio da sociedade e da falta de tudo em nós… Até da falta de palavras para se reclamar do que realmente deve ser reclamado. Eles são como nós? Não! Eles querem o que? Não sei… Mas com certeza isso não está sendo dito nas divulgações desse movimentozinho tosco. Não mesmo!

Manipulação… Das elites, da mídia, de um grupo político… Mas que coisa mais mal contada! Essas coisas me assustam porque se a safadeza chegou a ponto de tentar manipular as pessoas dessa forma… É porque a coisa tá feia!

Agora, o que está havendo de fato? A que pé anda essa guerra obscura que só chega a nós através de palhaçadas como esse movimento?

Fora da informação não há salvação… Sacou? Preciso dizer mais?

Abaixo a mídia corrupta! Entendeu, agora?

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texto retirado do blog http://byebyemother.blogspot.com de Willian Dubal

 

Cidade dos Motoboys: problemas e soluções

                                                                        motoboys-no-corredor.jpg

A cidade de São Paulo cresceu muito e hoje mantém o status de “Cidade Global”, isso significa tecnologia avançada em telecomunicação, investimentos estrangeiros, em fim, competitividade frente ao mercado mundial. Agilidade e fluxo são palavras fundamentais em uma metrópole que pretende ser eficiente, a favor do capital, claro. E é por isso que ela é eficaz na segregação urbana e na exclusão. Este é, a grosso modo, o planejamento estratégico que garante espaços públicos voltados a uma minoria abastada. Deste crescimento desordenado surgiu o trânsito caótico.

Mas trânsito caótico onde agilidade e fluxo são necessários? Para resolver esta questão o mercado inventou o motoboy por ser rápido e eficiente no meio urbano. Problemas resolvidos? Só se forem os do mercado, pois os da saúde pública só pioraram: 2,8 motociclistas vítimas fatais de acidente de trânsito por dia na capital paulista, segundo o Hospital das Clínicas.

Estima-se que existam cerca de 180.000 motoboys em atividade, das mais de 488.000 motocicletas registradas em São Paulo. Muitos deles trabalhando em média 12 horas por dia, de segunda a segunda, sem registro, sem direitos, sem benefícios, geralmente ganhando R$5,50 por hora (o mesmo valor de 3 anos atrás!). É um novo tipo de operário para novos tempos: informalidade para quem não possui qualificação. Nessas ruins condições de trabalho também se encontram os camelôs, as atendentes de telemarketing e os seguranças privados.

A cidade agora depende do serviço dos motoboys. Mas algum solução para a categoria está longe. É um problema social que vai se agravando enquanto a cidade cresce. E a organização dos motociclistas profissionais se faz cada vez mais necessária. Se fazem a cidade e sua economia fluírem, podem fazê-las pararem. São novos atores sociais fortes em cena, uma possível força política não vista desde os operários metalúrgicos dos anos 70. Melhores condições de trabalho é o mínimo que eles podem exigir.

Sobre Crianças e Lobos

 

 

Reduzir a maioridade penal resolve o quê? De tempos em tempos, a questão da redução da maioridade penal ressurge. Sempre após algum crime hediondo que comove a sociedade inteira.

Para a grande mídia é um ótimo negócio: manchetes comoventes de alta repercussão, garantindo assim a audiência; e a disseminação de sua ideologia burguesa de manter o pobre longe, de preferência na cadeia. Usando o terror como estratégia de marketing para forjar soluções como reduzir a maioridade penal e penas mais severas, que na prática são paliativas e só tendem a agravar o problema da criminalidade.

Fatores como a educação em condições precárias, o desemprego e a vontade de consumir desenvolvida pelo capitalismo, por exemplo, são peças que se unem e levam o jovem pobre a partir para o crime. Jogá-lo na cadeia apenas aprofunda a crise, pois o sistema penitenciário não visa recuperar o infrator, acontecendo exatamente o contrário: o jovem cada vez mais marginalizado, sem oportunidade e perspectivas, restando-lhe apenas o crime.

Uma sociedade dividida em classes onde uma detém o dinheiro e o poder e outra classe apenas tem sua força de trabalho, que é de pouco valor, só pode chegar a esse ponto, cujos conflitos serão cada vez mais explícitos e violentos. Investir em educação, esporte, lazer, enfim em outra sociedade, uma sociedade sem classes, é investir em segurança. Mas enquanto isso não acontece, o descaso do Governo para com as populações menos favorecidas continua e o sinônimo de justiça permanece como ‘pobre na cadeia’, sem direito à educação e todos os benefícios de uma vida digna.

Livro “Paris: Maio de 68″

                            Maio de 68

http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/paris68.html

Publicado pela Conrad, organizado pelo Coletivo Baderna, disponibilizado na internet. CopyLeft! 

Livro ‘Educação Social de Rua’

                              

                           educacao-socual-de-rua.jpg

Educação Social de Rua: as bases pedagógicas para uma educação popular

Livro de Walter Ferreira de Oliveira, publicado pela Artmed em 2004.

O trabalho do autor se baseia no traçado histórico dos Educadores de Rua que, em meio à crise econômica e crise da condição humana, são aceitos no universo dos meninos e meninas de rua do centro de São Paulo.

Walter Ferreira de Oliveira tem uma excelente visão micro e macro do problema abordado. Vindo da área da Saúde e com incrível conhecimento acerca da Política, o autor destaca um importante ponto da Educação Social de Rua: a pedagogia voltada à conscientização política.

Foi conhecer de perto o trabalho dos Educadores Sociais de Rua, e assim, o autor descobriu como agir nessa cultura, e entendê-la. Expoentes nortearam o trabalho desses Educadores: Celestine Freinet, Emília Ferreiro, Paulo Freire e a Teologia da Libertação. Este trabalho é também um exemplo de educação fora da escola.

Sem invadir o espaço das crianças, respeitando sempre, com um relacionamento de igual para igual, sem impor valores: essa é uma prática revolucionária que contradiz a escola tradicional.

Oliveira afirma, com razão, que a educação por si só não vai acabar com os problemas socioeconômicos. Mas é, sem dúvida, um importante passo para uma transformação social.

 

 

Apresentação

 

Meu nome é Roberto S***** Ito, nascido na cidade de São Paulo em 1984. Ano em que seríamos vigiados pela Teletela do Grande Irmão… estamos em 2007 e ainda temos que suportar o sétimo Big Brother…

Este é meu primeiro blog. O que chamo de “Clima Tenso” são as contradições e conflitos que vivemos diariamente na sociedade capitalista, as revoltas e levantes que dela surgem, as injustiças, as desigualdades.

Criei-o com o modesto intuito de difundir minhas idéias e opiniões sobre acontecimentos sobre cultura, arte, política, educação e lazer. Aqui serão feitas leituras críticas dos fatos, cujos assuntos serão ou não tratados pela grande mídia, pelos ditos ‘formadores de opinião’, visto que a visibilidade na mídia muitas vezes se equivale ao status social.

Sem muitas pretensões, enfim, deixarei meus registros apenas por deixa-los… quem sabe, fazer alguém refletir sobre o que acontece ao redor e perceber que o CLIMA ESTÁ TENSO!